quinta-feira, 25 de março de 2010

A Mulher de Trinta Anos

Nesta semana terminei de ler “A Mulher de Trinta Anos”(1829/1842) de Honoré de Balzac, um dos romances mais famosos do mundo. Deste romance surgiram 2 vocábulos:balzaca e balzaquiana, expressões usadas para referir-se a fase da mulher de 30 anos.

O romance em si deixa a desejar, o autor entra em contradições várias vezes com alguns personagens, dando características e denominações não citadas anteriormente. Tornando o romance com a estrutura confusa. A Mulher de Trinta Anos está dividida em 6 partes, em 6 novelas com entradas de personagens diferentes.

Honoré de Balzac recebeu inúmeros julgamentos dos críticos franceses, alguns deles condenam obras inteiras do romancista. Criticam não somente como escritor, mas também como pessoa:
“ O homem era vulgar, de aspecto rude, de voz forte e gestos violentos. Carecia absolutamente de espírito. Sua jovialidade era obscena e grosseira.”( Emilie Faguet, um dos mestres da crítica universitária francesa.)

Mas, vejo-o como homem sensível aos detalhes femininos, algo de difícil percepção da época. Balzac mostrou ao mundo as imperfeições do matrimônio através do sofrimento de uma mulher mal casada. Foi um grito de socorro feminino, e ainda prolongou a idade do amor: para os 30 e 40 anos. Sendo que na época os romancistas referiam–se apenas as mulheres de 20 anos.

O romance A Mulher de 30 Anos, refere-se à sedutora mulher na fase dos 30, com sua tranqüilidade, segurança e determinação que só as balzaquianas possuem.

Falam as más línguas, que Balzac encontrou inspiração nas suas paixões secretas por mulheres mais velhas, tendo como pano de fundo a vida mundana e agitada de Paris.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Dentro do universo feminino: o temível "dia seguinte".

O telefone tocou, e mais uma vez ela não pôde dizer não. Ela, a torturada Ana, não pôde sequer sussurrar um “não”, esse pequeno monossílabo que ela ensaiou tantos dias para falar ao seu algoz. Mas, mais uma vez, Ana foi engolida pela insanidade chamada paixão. Ela sabia que a noite de prazer custaria caro, custaria a sua paz, logo agora que ela quase conseguiu esquecê-lo.

Mas, como todos os apaixonados, Ana sofre de um grande mal. Um mal que aflige a sua mente. Uma enfermidade que não tem cura. Se pelo menos o algoz sentisse o mesmo, se ao menos ela pudesse transmitir os sentimentos para ele.

-Mas, que sentimento louco é esse?- Ana pergunta para si mesmo
Ela faz tanto esforço para controlar-se... dirige-se ao espelho do quarto, puxa os fios dos cabelos caídos no rosto para trás, e fala para a sua imagem:
- Ana Carolina! Você tem o controle de sua vida! Logo você, uma balzaquiana de cabelos brancos, ser vítima de um jovem moço sedutor. Não se deixe levar-se por uma paixão, ou seja lá qual nome se dar a isso.

As horas passam a galopes...

E pronto! A batalha começou dentro de Ana, uma batalha entre a Razão e a Emoção. O seu corpo deseja o algoz. Arrepios na pele, boca seca, a umidade no sexo vem a tona só de relembrar do seu último encontro com o sedutor: os beijos quentes, mãos agitadas pelo corpo, o dorso nu,beijos e mais beijos, cheiros e gemidos...ela estava em êxtase. Ana o desejava novamente, ela estava viciada neste corpo.

Ana almejou, muitas vezes, ser como homens, ter mais testosterona nas suas entranhas. Quem sabe se fosse assim, ela poderia controlar o sentimento de baixa estima que vem nos dias seguidos depois da volúpia.
Se ao menos o torturador ligasse depois da noite de amor, a pressuposta vítima poderia sentir-se melhor. Deveria ser lei ou um costume da qual nenhum homem poderia abster-se. Todo homem quando levasse uma mulher para cama, deveria dar um sinal de vida no dia seguinte. Pois, aí está: “o dia seguinte”! O dia seguinte é o grande vilão das mulheres que amam, das mulheres que arriscam a quebrar os tabus . -E se ele não ligar? E se ele sumir? Como vou ficar depois de uma noite de amor? – São tantas perguntas povoando na cabecinha de Ana.

Ana decide não se entregar ao inimigo, decide ser mais forte do que a própria dor. Chora mais um pouco... e evita a maquiagem; coloca um camisão; pronta para dormir. Está decidida! Não sairá ao encontro do seu “mal”.
A campainha toca arrebentando o silêncio da noite... toca mais uma vez.... Ana chora baixinho escondida no canto da sala. E por um minuto ela sente o seu corpo estremecer, sente o cheiro do amado a distância, é algo mais forte que ela.

A porta se abre...

Murilo está estático, elegante como sempre, com um belo sorriso... e diz:
-Meu grande amor...

E uma frase já é o bastante para Ana esquecer o seu dilema, já é o bastante para deixar-se cair nos braços do amado e entregar-se ao fascínio do calor de um corpo muito ansiado. E os beijos úmidos e quentes são alucinógenos para o corpo de Ana.E lá está ela: a pobre e feliz Ana, no ápice do delírio que só a paixão pode trazer... De que importa o dia seguinte? Se isso faz parte do deleite de viver, do deleite de viver intensamente.

Ah! Quem dera eternizar esses momentos, embriagar-se no imensurável prazer, e acordar ainda sobre nuvens no dia seguinte.

E o dia seguinte?Ah!O "seguinte" já não importa mais. O que importa agora é o durante, pois essa é a língua dos verdadeiros amantes.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A Mulher que um dia amou...

Era uma tarde triste, parecia que o dia adivinhara a sua angústia...

Uma mulher corria com todas as forças que podia pela floresta, tinha cabelos negros e compridos ao vento. Sua visão estava embaçada por lágrimas. Tentava enxugá-las em vão, na esperança de que elas desaparecessem.

A floresta estava emoldurada pelo Outono, folhas douradas caiam sobre seu rosto como confetes.
Mas quem é ela? É apenas uma mulher que ama. Que ama com todas as forças que este sentimento pode trazer.

Era o mesmo caminho de sempre, que a jovem fazia diariamente, mas parecia mais longo nesta tarde. Corria temerosa entre as árvores, como um bicho que foge do seu algoz, indiferente à dor provocada pelos espinhos que rasgavam sua pele. Não sabia o que a esperava, mas só tinha um pensamento : “salvar o seu amado!” Levada por este pensamento, tocou no seu cinturão, certificando-se que o seu punhal estava no mesmo lugar de sempre.

Uma bela mulher correndo numa floresta contra o vento... - Era uma bruxa? Uma fora da lei? - Ela poderia ser qualquer coisa. Mas, ela era, além de tudo, uma mulher que amava. Uma mulher que carregava dentro de si um sentimento nobre, que lhe impulsionava, que lhe dava forças.

Ela avistou de longe o aglomerado de pessoas, e tentava identificar o cavaleiro. Bramidos ecoam: a mulher grita, com todo o seu fôlego, o nome do seu amado!
O cavaleiro estava em posição de execução, uma corda entrelaçava o seu pescoço, tinha o rosto desfigurado pelo sofrimento. Mas, ainda possuía os belos olhos castanhos penetrantes que a jovem se apaixonara um dia.

E o crepúsculo avisa que é chegada a hora. O cavaleiro num último suspiro olha para a mulher amada, com um olhar que ela nunca viu, um olhar de compaixão e despedida.E a morte se aproxima com seu manto negro, querendo abraçá-lo. E ao sentir o perfume do anjo negro, o cavaleiro contempla pela última vez a face da amada e balbucia promessas de amor eterno. O alçapão abre... e a Morte cumpre o seu encargo.

A fúria toma conta do corpo da mulher, lágrimas e ódio vêm à tona. Gritos ressoam pelo o ar. Ela invoca todos os demônios da floresta. Frases Malditas saem da sua boca, amaldiçoando todos os seres presentes!

Temerosos da suspeita bruxa, todos se afastam daquela mulher ensandecida.

E a mulher que um dia amou, volta para a floresta, que é a sua casa, acompanhada da solidão e das lembranças do cavaleiro inocente.

(Conto feito na madrugada, inspirada na melodia da música "The Mystic's Dream" de Loreena McKennitt )

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Eu não gosto da noite...

A noite tornar-se para mim um martírio. É na noite que eu encontro o silêncio do meu ser, é na noite que eu escuto as vozes do fantasma da solidão... e eles gritam e me supliciam. Tento pensar em algo bom, algo que me tranquilize...

Eu não gosto da noite... com o seu travesseiro frio e árduo chamando-me incessantemente para chorar.

Eu não gosto da noite... com sua escuridão vasta que guardam segredos de alcova, com seus animais ferinos querendo devorar-me a cada hora.

Eu não gosto da noite... pois, a noite me espera com os braços perversos abertos, ansiando por me cercar.

Eu não gosto da noite...com seus gatunos nas esquinas, com gritos de socorro ou o seu silêncio abissal.

Eu prefiro o dia com seus nobres cânticos dos pássaros e cores matinais...

O dia que amanhece molhado com o orvalho da aurora. O dia que acorda os pássaros, que acorda os homens. O dia que nasce com o sol no mar, que tem o cheiro de grama molhada, o dia que chama os atletas para correrem na praia. Eu amo o dia que me dar sempre esperança...

Mas, agora vivo a noite, e a noite é extensa e nefária.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

No momento: feliz!

Ser feliz é poder ser você mesma, sem se importar com os que os outros vão pensar.

É poder ficar descalça
Tomar banho na chuva
Sorrir quando te apetecer
Se sujar de brigadeiro
Deixar a lágrima descer

Usar um fio dental, mesmo que te chamem de gorda
Abraçar quem você tem vontade
Ignorar quem te faz mal

Fazer uma tatoo em lugares visíveis
Fazer amor em lugares inusitados
Falar o que pensa
Fazer o que gosta
Deixar a vida fluir

Cantar à beleza do mar
Fazer um livro
Uma poesia
Sorrir da morte
E agradecer por mais um dia

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Noite Escura

Hoje a noite está escura: uma noite sem lua, uma noite sem estrelas... Parece até o reflexo do meu ser.

Hoje tenho asas sombrias, sou uma borboleta moribunda deitada num chão frio. Sinto meus ossos doerem, meu estômago ser oprimido. Meus olhos lutam para não serem imersos. Mas, bem que eu ansiava cair em prantos, pois dizem que chorar faz bem, dizem que “limpa a alma”. Entretanto, até para isso não tenho forças. É uma tristeza fria, sem lágrimas.

E a noite escura invade a minha alma, e a madrugada vem chegando lentamente, avisando-me que hora de adormecer. Mas, estou triste demais para dormir, triste demais para sonhar, triste demais para pensar... e por alguns segundos decido tornar-me impassível à minha dor, e entregar-me a loucura de brincar de não existir. Imaginar que eu estou perdida no cosmo, a procura de algo que realmente faça sentido, mas o meu cosmo imaginário também é escuro, com um buraco negro que me suga até a morte.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!…

Florbela Espanca - Livro de Mágoas

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Lembranças e livros...

Quando eu era criança, lembro de quando eu ficava triste por causa de algum problema, eu fugia e trancava-me no banheiro para chorar. Recordo-me que na maioria das vezes, fazia mais por saudades da minha mãe. Sentia que o banheiro era um lugar seguro, e para ser sincera: eu ainda adoro banheiros! Sinto que lá posso me esconder quando estou numa festa com alguns colegas inconvenientes, ou fugir de papos sobre fraldas ou sobre o último lançamento das bolsas Louis Vuitton.

Mas,quando cresci, tomei gosto pela leitura e me apaixonei por livros. Decidi fazê-los o meu refúgio, além dos banheiros. Sempre quando um namorado terminava comigo, sempre quando eu via o céu escurecer na minha vida eu ia até uma livraria mais próxima( as maiores são mais divertidas!). E sentia-me uma menina numa loja de doces, passava as mãos por cada um deles antes de degustá-los. Primeiramente, pelos que estavam em destaques, logo na primeira banca. Adorava os de capas coloridos! Ou que tinham uma imagem do mar, ou algo místico ou mesmo misterioso.

Cansei de comprar livros somente pela capa, pode parecer loucura, mas assim que eu fazia. Numa dessas vezes, tive a sorte de me apaixonar por um livro que tinha foto de um microfone enterrado na areia da praia, e de fundo o mar aparecendo, chamava-se: “ O Carteiro e o Poeta” de Antonio Skarmeta, baseado na vida de Pablo Neruda. Foi lindo! Paixão a primeira vista.
Também comprei pela capa e título: “Os catadores de conchas”, de Rosamunde Pilcher. Maravilhoso!

Hoje, mais madura, claro! Compro por autores ou por indicações de amigos.

Mas, ainda sinto a magia atrativa dos livros quando estou numa livraria.Não sei explicar, é como se escutasse vozes enigmáticas me seduzindo para cada livro. E lá estou eu dando ouvidos aos “espíritos”, comprando algo que me faça viajar e esquecer dos problemas.

E vocês o que fazem quando querem fugir dos problemas?

sábado, 2 de janeiro de 2010

Feliz Ano Novo!

Bem, na verdade, quero dizer: Feliz Ano Novo atrasado!
Esse post era para ser editado no primeiro dia do ano, essa foi uma das minhas promessas, para 2010, escrever um post por dia, para voltar com o hábito da escrita.Mas, alguns contratempos me impediram.

Confesso para vocês, todas essas festas de final de ano me deixam exausta, literalmente estressada. Fico num pico de empolgação para o ano que vem: promessas, projetos, planos econômicos, planos familiares, pessoais...e blá, blá..pareço que quero compensar o ano que passou, sem falar no desânimo que dar em fazer uma retrospectiva de 2009, fala sério? Ninguém merece tanto estresse, já começa pelo Natal: comprar presentes, filas e filas no supermercado, nos shoppings, no cinema, no Mcdonald....filas e mais filas, cotoveladas, bate-bocas .... pessoas visivelmente enfurecidas, sabem lá o porquê de tudo isso?

Por alguns segundos fiquei imaginando se a gente tivesse a opção de não festejar esses dias, seria entediante, não?Ou seria mais tranquilo para todos? Fico pensando também no ano que termina, não parece que perdemos algo... como um filho que se foi, sem dar tempo de se despedir, e quando ao menos esperamos: bumm! Lá chega 2010, sem pedir licença. Obrigando-nos a pensar no futuro, nos coagindo a retornar ao marco zero, a esquecer o passado. Pensando assim, até que a passagem do ano não é tão ruim,chega a ser poético.

Mas, sinto medo de tudo que se inicia, de tudo que é novo, sinto medo de mais um ano nos meus ensandecidos anos balzaquianos...ai, ai.. logo no começo do ano já faço 30 e poucos.... aninhos.... não quero pensar nas rugas que me esperam.

Sei que o post ficou sem pé nem cabeça, mas vou deixar assim mesmo...

Resumindo: Feliz 2010 para todos! E que eu possa ser útil por aqui, seja com meu humor negro, ou minhas idéias insanas, ou até mesmo com minha cultura inútil.

See you...

Ps: esse post foi editado na madrugada do dia 2 de Janeiro, e não no dia primeiro como foi registrado.