quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Cinquenta Tons de Cinza



Cinquenta Tons de Cinza
Autora: E L James

O livro recebeu um marketing pesado aqui no Brasil, foi capa primeiro da Época e depois da Veja, era tanto falatório que acho que a maioria comprou por curiosidade, e também por ser nomeado como um livro erótico feminino. E foi através do marketing que descobri o livro Cinquenta Tons de Cinzas, um romance atípico entre o jovem bilionário Christian Grey e a virgem estudante Anastasia Steele.

Tecnicamente

A escritora usa muito do diálogo, e os acontecimentos são repetitivos: sexo com sadismo, pensamento da pobre menina, sexo com sadismo, pensamento da pobre menina... e assim vai até o fim.
Primeiras páginas nada de muito interessante, longos diálogos, sem muitos detalhes dos ambientes. Muitos palavrões, e algumas cenas exageradas da pobre menina que vive caindo por tropeçar em seus próprios pés.
 A primeira transa até que é excitante pois o Sr. Grey  não usa dos atributos da sua psicopatia. Foi a primeira vez da moça, é bem picante, pois a autora usa dos seus conhecimentos femininos para demonstrar o que o mocinho tinha que fazer para ela chegar ao orgasmo.

O contrato

 A psicopatia do maníaco Grey chega ao disparate de ter um contrato decorrente de um aconselhamento da advogada do bilionário. Porém, o contrato é tão ridículo e absurdo que nem o mais inábil das pessoas encontraria alguma congruência, quando mais ser legalizado no âmbito jurídico. As partes contratantes têm como nomes: Dominador e Submissa. Entre as regras absurdas, o dominador dita o que a submissa tem que comer, hora de dormir, o que vestir, depilação completa, e cabeça baixa sempre. E  caso quebre a regra, o dominador deverá castigar a submissa fisicamente. Resumindo, o contrato é uma aberração e subestimação à inteligência do mais ignorante leitor.

Depredação da dignidade humana

O livro é um verdadeiro massacre a alma feminina. Não corro dos minhas ideias feministas, mas isso é muito mais que levantar a bandeira do feminismo. É na verdade um massacre a dignidade do ser humano. Por nenhum momento, durante o joguinho sádico do Mr. Grey,  levou-me para uma excitação sexual. Lembra mais um caso policial da minissérie CSI, onde o psicopata seduz a sua vitima, tortura no seu quarto da dor (sim, o senhor Grey tem um quarto vermelho da dor que leva a pobre Anastasia). E a menina, que poderia ser a filha de qualquer senhora que esteja lendo o livro (dizem que as leitoras mais fiéis da trilogia são senhoras casadas e com filhos) fica a mercê do maníaco, sem saber bem se é certo ou não o que está vivendo. Mas, na verdade, sua maior preocupação é satisfazer o Sr. Grey, independente das suas dores físicas, e das marcas decorrentes das torturas do maníaco.

Torturas excitam?

Desde quando levar chicotada no clitóris leva uma mulher ao orgasmo? Ou mesmo uma chicotada no seio? Para os homens que estão lendo esse post, imaginem uma chicotada na hora H, em que vocês estão esperando outra coisa, nos testículos; imaginou? Pois é, nada muito agradável.
Ou a escritora nunca levou essas chicotadas ou tem as partes intimas de ferro, creio que seja a primeira opção.

Minhas sensações foram de raiva e repugnância por toda leitura, e mais repúdio ainda de ver uma entrevista da escritora afirmar que as mulheres gostam destes tipos de homens. Bem, não sei que tipos de seres essa senhora está falando? Por que gostar de levar chicotada e ser espancada com um cinto não é algo que nenhum ser humano mentalize como um relação amorosa agradável. É uma incitação a violência!

O Sr. Grey trata a pobre Anastasia como um animal, quero dizer, pior que um animal. Você não espanca seu cãozinho toda vez que ele resolve não comer sua comida ou toda vez que ele  revirar os olhos. Sim, revirar os olhos e dizer “não”, foram alguns dos motivos dos açoites do Sr. Grey.

Até quando isso é normal?

Sem preconceitos, claro que joguinhos sexuais na hora H são sempre bem vindos, e tudo é permitido entre quatro paredes, desde que seja prazeroso para ambos. Mas, se o jogo continuar fora das quatro paredes, irritação e controle exacerbado, ciúmes, e ameaças. Evidentemente  que o campo  já é considerado de alto risco, já se caracteriza uma patologia. E é muito perigoso algumas pessoas acharem que é normal o comportamento do protagonista, pois não é. Ele tem comportamento doentio, e na vida real se você encontrar um homem assim, corra!

Conclusão: o livro é pobre, um retrocesso aos valores humanos. É uma covardia as ideias de combate a violência, que lutamos por tanto tempo para conscientizar a sociedade.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Virginia Woolf



Biografia
Autora: Alexandra Lemasson

Para quem se interessa em saber mais da Diva da literatura inglesa, a biografia de Virginia Woolf feita por Alexandra Lemasson é uma boa escolha. E o mais legal que foi editada pela L&PM pocket, edição de bolso, que oferece os preços mais baixos do mercado.

A biografia mostra detalhadamente as fases tempestuosas da escritora, toda sua história desde a infância. Uma vida inteira cercada pela morte: primeiramente perdeu sua mãe, e logo depois, sua irmã Stella protetora, e também seu irmão Thob. A morte precoce também dizimou seu melhores amigos, causando uma imensa angústia que aumentava cada vez mais a depressão de Virgínia. Depressão que ela tratava com literatura, Virginia escrevia para sobreviver, para se sentir fora do mundo real.  A depressão se expôs em Virginia pela primeira vez, logo em seguida aos abusos sexuais que sofreu pelos seus dois irmãos que eram frutos do segundo matrimônio do seu pai.

Para quem gosta de escrever é um bom incentivo, pois nos ensina a ser mais pacientes com os nossos desesperos na escrita. Sendo que, com Virginia a gente aprende que escrever às vezes também pode ser doloroso, e isso não quer dizer que não temos o dom, mas sim uma consequência dos profundos sentimentos refletidos no ato de escrever. Este sentimento doloroso é tão intenso que Virginia sempre precisava de um tempo para se recuperar depois de escrever um livro. Ela falava que: “Escrever é, ao mesmo tempo, bom e doloroso.”
Ela era bissexual, mas não assumia sua atração por mulheres em público, porém viveu paixões arrebatadoras por algumas amigas, que também faziam parte da elite cultural inglesa; sempre com a anuência do marido.
Virginia constantemente declarava que era uma insaciável pela vida: “quero tudo!”. Era como uma criança plenamente inquieta: queria ser sempre a primeira, a melhor escritora, ter o melhor casamento. Queria ler tudo, saber tudo! Tudo era pouco para ela.
A fase mais obscura de Virginia foi ao final de sua vida, vendo os destroços da guerra e a Inglaterra desafiando Hitler; não obstante, o desespero de presenciar todos os seus amigos partindo desse mundo por mortes naturais. Ela sempre imaginava que seria a próxima a ser abraçada pela morte, quase com 60 anos, pensava que não tinha muito tempo de vida. E seu perpétuo estado frágil foi lhe dizimando, até ao ponto dos médicos a proibirem de escrever e até mesmo de ler. E sua enfermidade mental -que sempre foi um dos maiores enigmas para os psiquiatras da época, que se dividiam em diversas opiniões diferentes- tornou-se cercada de alucinações, chegando ao desespero dela não conseguir escrever mais nada. E no dia 28 de março de 1941 decide findar sua vida, joga-se nas águas do rio Ouse com os bolsos do seu casaco cheio de pedras.

O livro mais famoso:
“Mrs.Dalloway” é o mais sucedido dos seus romances, a história remonta ao outono de 1920, é um romance impressionista que relega a ação e expõe mais os sentimentos conturbados interiores. A história conta a vida de uma mulher e suas flutuações da alma em um único dia, o passado e o presente se misturam. Podemos ver um pouco deste famoso livro também em filmes: “As horas”, de Stephen Daldry,2002 e Mrs.Dalloway, de Marleen Gorris,1997.

Seu último escrito foi uma carta deixada para o seu marido, uma carta de despedida, para logo após mergulhar nas profundezas de Ouse:

Meu querido Leonard.

Tenho a certeza de que estou enlouquecendo novamente: sinto que não posso suportar outro desses terríveis períodos. E desta vez não me restabelecerei. Comecei a ouvir vozes e não consigo me concentrar. Por isso vou fazer o que me parece ser o melhor.
Deste-me a maior felicidade possível. Foste em todos os sentidos tudo o que qualquer pessoa podia querer. Não creio que duas pessoas pudessem ter sido mais felizes até surgir esta terrível doença. Não consigo lutar mais contra ela, sei que estou a destruir a tua vida, que sem mim poderias trabalhar. E trabalharás, eu sei. Como vês, nem isto consigo escrever como deve ser. 

Não consigo ler. 

O que quero dizer é que te devo toda a felicidade da minha vida. Foste inteiramente paciente comigo e incrivelmente bom. 

Quero dizer isso — toda a gente sabe. Se alguém pudesse ter-me salvo, esse alguém terias sido tu. Perdi tudo menos a certeza da tua bondade. Não posso continuar a estragar a tua vida. Não creio que duas pessoas pudessem ter sido mais felizes do que nós fomos. 

V.




terça-feira, 14 de agosto de 2012

O Evangelho Segundo Jesus Cristo(1991)


Livro vencedor do prêmio Nobel de Literatura em 1998
Autor: José Saramago
Conclusões sobre o livro: O livro é uma obra prima desde o início. É um deleite para os céticos, e um desafio para os religiosos. Jesus Cristo é mostrado mais humano do que nunca foi: um Cristo com dores, receios e desejos; e até mesmo com uma dose de descrença. Um cristo que leva o peso das questões dos mistérios da vida, questões tipicamente humanas. Carrega também sobre os ombros -numa visão futurística que Deus o mostra num dos capítulos -o peso de toda consequência que o Cristianismo trouxe: os mártires, as guerras santas, inquisição, e todas as vidas que foram ceifadas por seu nome. O ápice do livro é encontrado no encontro de Deus, Jesus e o Diabo. Um diálogo comovente onde Deus expõe sua vontade e os acontecimentos futurísticos para a surpresa de Jesus e desacordo do Diabo. Cujo, o Diabo é considerado somente a outra face de Deus; sendo assim, um não poderá existir sem o outro. Maria Madalena, como sempre, é mostrada como uma prostituta que vem se enamorar por Jesus; que é um homem como qualquer outro, mas que tem poderes de cura e outras facetas por todo decorrer do livro. Nas últimas páginas, das quase 400, nota-se que o autor se desespera para terminar o livro. Pois, percebe-se que os atos são jogados ao leitor subitamente. Resumindo, foi um dos melhores livros que eu li, pois revisa conceitos bíblicos e reformula ideias. É daqueles que a gente termina e nos deixam algo, é daqueles que ficam dentro da gente para sempre. Recomendo-o!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Tudo Passa




As pessoas passam por nossas vidas não por acaso
Algumas passam para te trazer algo
Outras para levar algo

Algumas vão embora tão repentinamente que te deixam dores
Outras te deixam amores

Muitas vão cruzar o teu caminho
Vão cruzar algum ponto em tua vida para te deixar algo, ou te retirar algo.
Ou somente cumprirem com os seus papeis.

Então não chores se ela partir, se ela for embora, é só mais alguém cumprindo o seu destino.

Outras mais virão
Outras mais levarão
Outras mais trarão

As vidas, de alguma forma, estão entrelaçadas, arquitetadas pelo Universo
Alguns te trarão dores para o teu aprendizado
Outros te trarão proteção e amor
Outros vão embora e deixarão marcas profundas no teu peito
Mas, não se martirize, é somente a vida sendo escrita na tua estrada

quinta-feira, 1 de março de 2012

Distância


Quando se está longe, ele está perto
Quando se está perto, ele está longe
É a perdurável dança do desentendimento