Cinquenta Tons de Cinza
Autora: E L James
O livro recebeu um marketing pesado aqui no Brasil,
foi capa primeiro da Época e depois da Veja, era tanto falatório que acho que a
maioria comprou por curiosidade, e também por ser nomeado como um livro erótico
feminino. E foi através do marketing que descobri o livro Cinquenta Tons de
Cinzas, um romance atípico entre o jovem bilionário Christian Grey e a virgem
estudante Anastasia Steele.
Tecnicamente
A escritora usa muito do diálogo, e os acontecimentos
são repetitivos: sexo com sadismo, pensamento da pobre menina, sexo com sadismo,
pensamento da pobre menina... e assim vai até o fim.
Primeiras páginas nada de muito interessante, longos
diálogos, sem muitos detalhes dos ambientes. Muitos palavrões, e algumas cenas
exageradas da pobre menina que vive caindo por tropeçar em seus próprios pés.
A primeira transa
até que é excitante pois o Sr. Grey não
usa dos atributos da sua psicopatia. Foi a primeira vez da moça, é bem picante,
pois a autora usa dos seus conhecimentos femininos para demonstrar o que o
mocinho tinha que fazer para ela chegar ao orgasmo.
O contrato
A psicopatia do
maníaco Grey chega ao disparate de ter um contrato decorrente de um aconselhamento
da advogada do bilionário. Porém, o contrato é tão ridículo e absurdo que nem o
mais inábil das pessoas encontraria alguma congruência, quando mais ser
legalizado no âmbito jurídico. As partes contratantes têm como nomes: Dominador
e Submissa. Entre as regras absurdas, o dominador dita o que a submissa tem que
comer, hora de dormir, o que vestir, depilação completa, e cabeça baixa sempre.
E caso quebre a regra, o dominador
deverá castigar a submissa fisicamente. Resumindo, o contrato é uma aberração e
subestimação à inteligência do mais ignorante leitor.
Depredação da dignidade humana
O livro é um verdadeiro massacre a alma feminina. Não
corro dos minhas ideias feministas, mas isso é muito mais que levantar a
bandeira do feminismo. É na verdade um massacre a dignidade do ser humano. Por
nenhum momento, durante o joguinho sádico do Mr. Grey, levou-me para uma excitação sexual. Lembra
mais um caso policial da minissérie CSI, onde o psicopata seduz a sua vitima,
tortura no seu quarto da dor (sim, o senhor Grey tem um quarto vermelho da dor
que leva a pobre Anastasia). E a menina, que poderia ser a filha de qualquer
senhora que esteja lendo o livro (dizem que as leitoras mais fiéis da trilogia são
senhoras casadas e com filhos) fica a mercê do maníaco, sem saber bem se é certo
ou não o que está vivendo. Mas, na verdade, sua maior preocupação é satisfazer
o Sr. Grey, independente das suas dores físicas, e das marcas decorrentes das
torturas do maníaco.
Torturas excitam?
Desde quando levar chicotada no clitóris leva uma
mulher ao orgasmo? Ou mesmo uma chicotada no seio? Para os homens que estão lendo
esse post, imaginem uma chicotada na hora H, em que vocês estão esperando outra
coisa, nos testículos; imaginou? Pois é, nada muito agradável.
Ou a escritora nunca levou essas chicotadas ou tem as
partes intimas de ferro, creio que seja a primeira opção.
Minhas sensações foram de raiva e repugnância por toda
leitura, e mais repúdio ainda de ver uma entrevista da escritora afirmar que as
mulheres gostam destes tipos de homens. Bem, não sei que tipos de seres essa
senhora está falando? Por que gostar de levar chicotada e ser espancada com um
cinto não é algo que nenhum ser humano mentalize como um relação amorosa agradável.
É uma incitação a violência!
O Sr. Grey trata a pobre Anastasia como um animal,
quero dizer, pior que um animal. Você não espanca seu cãozinho toda vez que ele
resolve não comer sua comida ou toda vez que ele revirar os olhos. Sim, revirar os olhos e
dizer “não”, foram alguns dos motivos dos açoites do Sr. Grey.
Até quando isso é normal?
Sem preconceitos, claro que joguinhos sexuais na hora
H são sempre bem vindos, e tudo é permitido entre quatro paredes, desde que
seja prazeroso para ambos. Mas, se o jogo continuar fora das quatro paredes,
irritação e controle exacerbado, ciúmes, e ameaças. Evidentemente que o campo
já é considerado de alto risco, já se caracteriza uma patologia. E é
muito perigoso algumas pessoas acharem que é normal o comportamento do
protagonista, pois não é. Ele tem comportamento doentio, e na vida real se você
encontrar um homem assim, corra!
Conclusão: o livro é pobre, um retrocesso aos valores
humanos. É uma covardia as ideias de combate a violência, que lutamos por tanto
tempo para conscientizar a sociedade.



