quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Virginia Woolf



Biografia
Autora: Alexandra Lemasson

Para quem se interessa em saber mais da Diva da literatura inglesa, a biografia de Virginia Woolf feita por Alexandra Lemasson é uma boa escolha. E o mais legal que foi editada pela L&PM pocket, edição de bolso, que oferece os preços mais baixos do mercado.

A biografia mostra detalhadamente as fases tempestuosas da escritora, toda sua história desde a infância. Uma vida inteira cercada pela morte: primeiramente perdeu sua mãe, e logo depois, sua irmã Stella protetora, e também seu irmão Thob. A morte precoce também dizimou seu melhores amigos, causando uma imensa angústia que aumentava cada vez mais a depressão de Virgínia. Depressão que ela tratava com literatura, Virginia escrevia para sobreviver, para se sentir fora do mundo real.  A depressão se expôs em Virginia pela primeira vez, logo em seguida aos abusos sexuais que sofreu pelos seus dois irmãos que eram frutos do segundo matrimônio do seu pai.

Para quem gosta de escrever é um bom incentivo, pois nos ensina a ser mais pacientes com os nossos desesperos na escrita. Sendo que, com Virginia a gente aprende que escrever às vezes também pode ser doloroso, e isso não quer dizer que não temos o dom, mas sim uma consequência dos profundos sentimentos refletidos no ato de escrever. Este sentimento doloroso é tão intenso que Virginia sempre precisava de um tempo para se recuperar depois de escrever um livro. Ela falava que: “Escrever é, ao mesmo tempo, bom e doloroso.”
Ela era bissexual, mas não assumia sua atração por mulheres em público, porém viveu paixões arrebatadoras por algumas amigas, que também faziam parte da elite cultural inglesa; sempre com a anuência do marido.
Virginia constantemente declarava que era uma insaciável pela vida: “quero tudo!”. Era como uma criança plenamente inquieta: queria ser sempre a primeira, a melhor escritora, ter o melhor casamento. Queria ler tudo, saber tudo! Tudo era pouco para ela.
A fase mais obscura de Virginia foi ao final de sua vida, vendo os destroços da guerra e a Inglaterra desafiando Hitler; não obstante, o desespero de presenciar todos os seus amigos partindo desse mundo por mortes naturais. Ela sempre imaginava que seria a próxima a ser abraçada pela morte, quase com 60 anos, pensava que não tinha muito tempo de vida. E seu perpétuo estado frágil foi lhe dizimando, até ao ponto dos médicos a proibirem de escrever e até mesmo de ler. E sua enfermidade mental -que sempre foi um dos maiores enigmas para os psiquiatras da época, que se dividiam em diversas opiniões diferentes- tornou-se cercada de alucinações, chegando ao desespero dela não conseguir escrever mais nada. E no dia 28 de março de 1941 decide findar sua vida, joga-se nas águas do rio Ouse com os bolsos do seu casaco cheio de pedras.

O livro mais famoso:
“Mrs.Dalloway” é o mais sucedido dos seus romances, a história remonta ao outono de 1920, é um romance impressionista que relega a ação e expõe mais os sentimentos conturbados interiores. A história conta a vida de uma mulher e suas flutuações da alma em um único dia, o passado e o presente se misturam. Podemos ver um pouco deste famoso livro também em filmes: “As horas”, de Stephen Daldry,2002 e Mrs.Dalloway, de Marleen Gorris,1997.

Seu último escrito foi uma carta deixada para o seu marido, uma carta de despedida, para logo após mergulhar nas profundezas de Ouse:

Meu querido Leonard.

Tenho a certeza de que estou enlouquecendo novamente: sinto que não posso suportar outro desses terríveis períodos. E desta vez não me restabelecerei. Comecei a ouvir vozes e não consigo me concentrar. Por isso vou fazer o que me parece ser o melhor.
Deste-me a maior felicidade possível. Foste em todos os sentidos tudo o que qualquer pessoa podia querer. Não creio que duas pessoas pudessem ter sido mais felizes até surgir esta terrível doença. Não consigo lutar mais contra ela, sei que estou a destruir a tua vida, que sem mim poderias trabalhar. E trabalharás, eu sei. Como vês, nem isto consigo escrever como deve ser. 

Não consigo ler. 

O que quero dizer é que te devo toda a felicidade da minha vida. Foste inteiramente paciente comigo e incrivelmente bom. 

Quero dizer isso — toda a gente sabe. Se alguém pudesse ter-me salvo, esse alguém terias sido tu. Perdi tudo menos a certeza da tua bondade. Não posso continuar a estragar a tua vida. Não creio que duas pessoas pudessem ter sido mais felizes do que nós fomos. 

V.