Biografia
Autora: Alexandra Lemasson
Para quem se interessa em saber mais da Diva da
literatura inglesa, a biografia de Virginia Woolf feita por Alexandra Lemasson
é uma boa escolha. E o mais legal que foi editada pela L&PM pocket, edição
de bolso, que oferece os preços mais baixos do mercado.
A biografia mostra detalhadamente as fases tempestuosas
da escritora, toda sua história desde a infância. Uma vida inteira cercada pela
morte: primeiramente perdeu sua mãe, e logo depois, sua irmã Stella protetora,
e também seu irmão Thob. A morte precoce também dizimou seu melhores amigos,
causando uma imensa angústia que aumentava cada vez mais a depressão de
Virgínia. Depressão que ela tratava com literatura, Virginia escrevia para
sobreviver, para se sentir fora do mundo real. A depressão se expôs em Virginia pela primeira
vez, logo em seguida aos abusos sexuais que sofreu pelos seus dois irmãos que eram
frutos do segundo matrimônio do seu pai.
Para quem gosta de escrever é um bom incentivo, pois
nos ensina a ser mais pacientes com os nossos desesperos na escrita. Sendo que,
com Virginia a gente aprende que escrever às vezes também pode ser doloroso, e
isso não quer dizer que não temos o dom, mas sim uma consequência dos profundos
sentimentos refletidos no ato de escrever. Este sentimento doloroso é tão
intenso que Virginia sempre precisava de um tempo para se recuperar depois de
escrever um livro. Ela falava que: “Escrever é, ao mesmo tempo, bom e doloroso.”
Ela era bissexual, mas não assumia sua atração por
mulheres em público, porém viveu paixões arrebatadoras por algumas amigas, que
também faziam parte da elite cultural inglesa; sempre com a anuência do marido.
Virginia constantemente declarava que era uma insaciável
pela vida: “quero tudo!”. Era como uma criança plenamente inquieta: queria ser
sempre a primeira, a melhor escritora, ter o melhor casamento. Queria ler tudo,
saber tudo! Tudo era pouco para ela.
A fase mais obscura de Virginia foi ao final de sua
vida, vendo os destroços da guerra e a Inglaterra desafiando Hitler; não
obstante, o desespero de presenciar todos os seus amigos partindo desse mundo
por mortes naturais. Ela sempre imaginava que seria a próxima a ser abraçada
pela morte, quase com 60 anos, pensava que não tinha muito tempo de vida. E seu
perpétuo estado frágil foi lhe dizimando, até ao ponto dos médicos a proibirem
de escrever e até mesmo de ler. E sua enfermidade mental -que sempre foi um dos
maiores enigmas para os psiquiatras da época, que se dividiam em diversas
opiniões diferentes- tornou-se cercada de alucinações, chegando ao desespero
dela não conseguir escrever mais nada. E no dia 28 de março de 1941 decide
findar sua vida, joga-se nas águas do rio Ouse com os bolsos do seu casaco
cheio de pedras.
O livro mais famoso:
“Mrs.Dalloway” é o mais sucedido dos seus romances, a
história remonta ao outono de 1920, é um romance impressionista que relega a
ação e expõe mais os sentimentos conturbados interiores. A história conta a
vida de uma mulher e suas flutuações da alma em um único dia, o passado e o
presente se misturam. Podemos ver um pouco deste famoso livro também em filmes:
“As horas”, de Stephen Daldry,2002 e Mrs.Dalloway, de Marleen Gorris,1997.
Seu último escrito foi uma carta deixada para o seu
marido, uma carta de despedida, para logo após mergulhar nas profundezas de
Ouse:
Meu querido Leonard.
Tenho a
certeza de que estou enlouquecendo novamente: sinto que não posso suportar
outro desses terríveis períodos. E desta vez não me restabelecerei. Comecei a
ouvir vozes e não consigo me concentrar. Por isso vou fazer o que me parece ser
o melhor.
Deste-me
a maior felicidade possível. Foste em todos os sentidos tudo o que qualquer
pessoa podia querer. Não creio que duas pessoas pudessem ter sido mais felizes
até surgir esta terrível doença. Não consigo lutar mais contra ela, sei que
estou a destruir a tua vida, que sem mim poderias trabalhar. E trabalharás, eu
sei. Como vês, nem isto consigo escrever como deve ser.
Não consigo
ler.
O que
quero dizer é que te devo toda a felicidade da minha vida. Foste inteiramente
paciente comigo e incrivelmente bom.
Quero
dizer isso — toda a gente sabe. Se alguém pudesse ter-me salvo, esse alguém
terias sido tu. Perdi tudo menos a certeza da tua bondade. Não posso continuar
a estragar a tua vida. Não creio que duas pessoas pudessem ter sido mais
felizes do que nós fomos.
V.
V.
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