Nesta semana terminei de ler “A Mulher de Trinta Anos”(1829/1842) de Honoré de Balzac, um dos romances mais famosos do mundo. Deste romance surgiram 2 vocábulos:balzaca e balzaquiana, expressões usadas para referir-se a fase da mulher de 30 anos.
O romance em si deixa a desejar, o autor entra em contradições várias vezes com alguns personagens, dando características e denominações não citadas anteriormente. Tornando o romance com a estrutura confusa. A Mulher de Trinta Anos está dividida em 6 partes, em 6 novelas com entradas de personagens diferentes.
Honoré de Balzac recebeu inúmeros julgamentos dos críticos franceses, alguns deles condenam obras inteiras do romancista. Criticam não somente como escritor, mas também como pessoa:
“ O homem era vulgar, de aspecto rude, de voz forte e gestos violentos. Carecia absolutamente de espírito. Sua jovialidade era obscena e grosseira.”( Emilie Faguet, um dos mestres da crítica universitária francesa.)
Mas, vejo-o como homem sensível aos detalhes femininos, algo de difícil percepção da época. Balzac mostrou ao mundo as imperfeições do matrimônio através do sofrimento de uma mulher mal casada. Foi um grito de socorro feminino, e ainda prolongou a idade do amor: para os 30 e 40 anos. Sendo que na época os romancistas referiam–se apenas as mulheres de 20 anos.
O romance A Mulher de 30 Anos, refere-se à sedutora mulher na fase dos 30, com sua tranqüilidade, segurança e determinação que só as balzaquianas possuem.
Falam as más línguas, que Balzac encontrou inspiração nas suas paixões secretas por mulheres mais velhas, tendo como pano de fundo a vida mundana e agitada de Paris.
quinta-feira, 25 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
Dentro do universo feminino: o temível "dia seguinte".
O telefone tocou, e mais uma vez ela não pôde dizer não. Ela, a torturada Ana, não pôde sequer sussurrar um “não”, esse pequeno monossílabo que ela ensaiou tantos dias para falar ao seu algoz. Mas, mais uma vez, Ana foi engolida pela insanidade chamada paixão. Ela sabia que a noite de prazer custaria caro, custaria a sua paz, logo agora que ela quase conseguiu esquecê-lo.
Mas, como todos os apaixonados, Ana sofre de um grande mal. Um mal que aflige a sua mente. Uma enfermidade que não tem cura. Se pelo menos o algoz sentisse o mesmo, se ao menos ela pudesse transmitir os sentimentos para ele.
-Mas, que sentimento louco é esse?- Ana pergunta para si mesmo
Ela faz tanto esforço para controlar-se... dirige-se ao espelho do quarto, puxa os fios dos cabelos caídos no rosto para trás, e fala para a sua imagem:
- Ana Carolina! Você tem o controle de sua vida! Logo você, uma balzaquiana de cabelos brancos, ser vítima de um jovem moço sedutor. Não se deixe levar-se por uma paixão, ou seja lá qual nome se dar a isso.
As horas passam a galopes...
E pronto! A batalha começou dentro de Ana, uma batalha entre a Razão e a Emoção. O seu corpo deseja o algoz. Arrepios na pele, boca seca, a umidade no sexo vem a tona só de relembrar do seu último encontro com o sedutor: os beijos quentes, mãos agitadas pelo corpo, o dorso nu,beijos e mais beijos, cheiros e gemidos...ela estava em êxtase. Ana o desejava novamente, ela estava viciada neste corpo.
Ana almejou, muitas vezes, ser como homens, ter mais testosterona nas suas entranhas. Quem sabe se fosse assim, ela poderia controlar o sentimento de baixa estima que vem nos dias seguidos depois da volúpia.
Se ao menos o torturador ligasse depois da noite de amor, a pressuposta vítima poderia sentir-se melhor. Deveria ser lei ou um costume da qual nenhum homem poderia abster-se. Todo homem quando levasse uma mulher para cama, deveria dar um sinal de vida no dia seguinte. Pois, aí está: “o dia seguinte”! O dia seguinte é o grande vilão das mulheres que amam, das mulheres que arriscam a quebrar os tabus . -E se ele não ligar? E se ele sumir? Como vou ficar depois de uma noite de amor? – São tantas perguntas povoando na cabecinha de Ana.
Ana decide não se entregar ao inimigo, decide ser mais forte do que a própria dor. Chora mais um pouco... e evita a maquiagem; coloca um camisão; pronta para dormir. Está decidida! Não sairá ao encontro do seu “mal”.
A campainha toca arrebentando o silêncio da noite... toca mais uma vez.... Ana chora baixinho escondida no canto da sala. E por um minuto ela sente o seu corpo estremecer, sente o cheiro do amado a distância, é algo mais forte que ela.
A porta se abre...
Murilo está estático, elegante como sempre, com um belo sorriso... e diz:
-Meu grande amor...
E uma frase já é o bastante para Ana esquecer o seu dilema, já é o bastante para deixar-se cair nos braços do amado e entregar-se ao fascínio do calor de um corpo muito ansiado. E os beijos úmidos e quentes são alucinógenos para o corpo de Ana.E lá está ela: a pobre e feliz Ana, no ápice do delírio que só a paixão pode trazer... De que importa o dia seguinte? Se isso faz parte do deleite de viver, do deleite de viver intensamente.
Ah! Quem dera eternizar esses momentos, embriagar-se no imensurável prazer, e acordar ainda sobre nuvens no dia seguinte.
E o dia seguinte?Ah!O "seguinte" já não importa mais. O que importa agora é o durante, pois essa é a língua dos verdadeiros amantes.
Mas, como todos os apaixonados, Ana sofre de um grande mal. Um mal que aflige a sua mente. Uma enfermidade que não tem cura. Se pelo menos o algoz sentisse o mesmo, se ao menos ela pudesse transmitir os sentimentos para ele.
-Mas, que sentimento louco é esse?- Ana pergunta para si mesmo
Ela faz tanto esforço para controlar-se... dirige-se ao espelho do quarto, puxa os fios dos cabelos caídos no rosto para trás, e fala para a sua imagem:
- Ana Carolina! Você tem o controle de sua vida! Logo você, uma balzaquiana de cabelos brancos, ser vítima de um jovem moço sedutor. Não se deixe levar-se por uma paixão, ou seja lá qual nome se dar a isso.
As horas passam a galopes...
E pronto! A batalha começou dentro de Ana, uma batalha entre a Razão e a Emoção. O seu corpo deseja o algoz. Arrepios na pele, boca seca, a umidade no sexo vem a tona só de relembrar do seu último encontro com o sedutor: os beijos quentes, mãos agitadas pelo corpo, o dorso nu,beijos e mais beijos, cheiros e gemidos...ela estava em êxtase. Ana o desejava novamente, ela estava viciada neste corpo.
Ana almejou, muitas vezes, ser como homens, ter mais testosterona nas suas entranhas. Quem sabe se fosse assim, ela poderia controlar o sentimento de baixa estima que vem nos dias seguidos depois da volúpia.
Se ao menos o torturador ligasse depois da noite de amor, a pressuposta vítima poderia sentir-se melhor. Deveria ser lei ou um costume da qual nenhum homem poderia abster-se. Todo homem quando levasse uma mulher para cama, deveria dar um sinal de vida no dia seguinte. Pois, aí está: “o dia seguinte”! O dia seguinte é o grande vilão das mulheres que amam, das mulheres que arriscam a quebrar os tabus . -E se ele não ligar? E se ele sumir? Como vou ficar depois de uma noite de amor? – São tantas perguntas povoando na cabecinha de Ana.
Ana decide não se entregar ao inimigo, decide ser mais forte do que a própria dor. Chora mais um pouco... e evita a maquiagem; coloca um camisão; pronta para dormir. Está decidida! Não sairá ao encontro do seu “mal”.
A campainha toca arrebentando o silêncio da noite... toca mais uma vez.... Ana chora baixinho escondida no canto da sala. E por um minuto ela sente o seu corpo estremecer, sente o cheiro do amado a distância, é algo mais forte que ela.
A porta se abre...
Murilo está estático, elegante como sempre, com um belo sorriso... e diz:
-Meu grande amor...
E uma frase já é o bastante para Ana esquecer o seu dilema, já é o bastante para deixar-se cair nos braços do amado e entregar-se ao fascínio do calor de um corpo muito ansiado. E os beijos úmidos e quentes são alucinógenos para o corpo de Ana.E lá está ela: a pobre e feliz Ana, no ápice do delírio que só a paixão pode trazer... De que importa o dia seguinte? Se isso faz parte do deleite de viver, do deleite de viver intensamente.
Ah! Quem dera eternizar esses momentos, embriagar-se no imensurável prazer, e acordar ainda sobre nuvens no dia seguinte.
E o dia seguinte?Ah!O "seguinte" já não importa mais. O que importa agora é o durante, pois essa é a língua dos verdadeiros amantes.
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