Era uma tarde triste, parecia que o dia adivinhara a sua angústia...
Uma mulher corria com todas as forças que podia pela floresta, tinha cabelos negros e compridos ao vento. Sua visão estava embaçada por lágrimas. Tentava enxugá-las em vão, na esperança de que elas desaparecessem.
A floresta estava emoldurada pelo Outono, folhas douradas caiam sobre seu rosto como confetes.
Mas quem é ela? É apenas uma mulher que ama. Que ama com todas as forças que este sentimento pode trazer.
Era o mesmo caminho de sempre, que a jovem fazia diariamente, mas parecia mais longo nesta tarde. Corria temerosa entre as árvores, como um bicho que foge do seu algoz, indiferente à dor provocada pelos espinhos que rasgavam sua pele. Não sabia o que a esperava, mas só tinha um pensamento : “salvar o seu amado!” Levada por este pensamento, tocou no seu cinturão, certificando-se que o seu punhal estava no mesmo lugar de sempre.
Uma bela mulher correndo numa floresta contra o vento... - Era uma bruxa? Uma fora da lei? - Ela poderia ser qualquer coisa. Mas, ela era, além de tudo, uma mulher que amava. Uma mulher que carregava dentro de si um sentimento nobre, que lhe impulsionava, que lhe dava forças.
Ela avistou de longe o aglomerado de pessoas, e tentava identificar o cavaleiro. Bramidos ecoam: a mulher grita, com todo o seu fôlego, o nome do seu amado!
O cavaleiro estava em posição de execução, uma corda entrelaçava o seu pescoço, tinha o rosto desfigurado pelo sofrimento. Mas, ainda possuía os belos olhos castanhos penetrantes que a jovem se apaixonara um dia.
E o crepúsculo avisa que é chegada a hora. O cavaleiro num último suspiro olha para a mulher amada, com um olhar que ela nunca viu, um olhar de compaixão e despedida.E a morte se aproxima com seu manto negro, querendo abraçá-lo. E ao sentir o perfume do anjo negro, o cavaleiro contempla pela última vez a face da amada e balbucia promessas de amor eterno. O alçapão abre... e a Morte cumpre o seu encargo.
A fúria toma conta do corpo da mulher, lágrimas e ódio vêm à tona. Gritos ressoam pelo o ar. Ela invoca todos os demônios da floresta. Frases Malditas saem da sua boca, amaldiçoando todos os seres presentes!
Temerosos da suspeita bruxa, todos se afastam daquela mulher ensandecida.
E a mulher que um dia amou, volta para a floresta, que é a sua casa, acompanhada da solidão e das lembranças do cavaleiro inocente.
(Conto feito na madrugada, inspirada na melodia da música "The Mystic's Dream" de Loreena McKennitt )